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Com 27% da produção de Camaçari destinada à América do Norte em 2025, medida preocupa setor produtivo e pode afetar dezenas de municípios baianos
A inclusão da celulose solúvel na tarifa de 25% imposta pelos Estados Unidos sobre determinados produtos brasileiros preocupa a cadeia produtiva da Bahia, especialmente a operação da Bracell, uma das maiores produtoras mundiais do insumo. A empresa mantém uma ampla base florestal no estado, responsável pelo abastecimento de sua fábrica em Camaçari (BA), e o receio é de que a redução das exportações e a dificuldade em redirecionar os embarques afetem a atividade econômica em dezenas de municípios.
“(A Bracell) é uma empresa que tem um impacto em uma cadeia florestal em vários municípios na Bahia, que não está restrito apenas à localidade da planta, em Camaçari. Há uma estimativa de cerca de 30 municípios que, de alguma forma, direta ou indiretamente, são impactados pela operação da empresa”, disse uma fonte que acompanha o setor produtivo baiano e está a par do tema, sob reserva.
De acordo com o resumo público do plano de manejo da Bracell, referente a 2024, a unidade de Camaçari é abastecida por madeira de eucalipto proveniente de 44 municípios, quase todos localizados na Bahia. Naquele ano, a área total manejada pela empresa, entre propriedades próprias e de parceiros, alcançou 230,8 mil hectares.
Embora a nova tarifa não inviabilize as operações da companhia, representantes do setor avaliam que o impacto pode ser significativo, já que a celulose solúvel é o principal produto exportado pela Bahia para o mercado norte-americano.
“Não diria que é uma emergência, mas ela é impactada, sem dúvida nenhuma. É uma situação sensível, já que a pauta de exportações para os Estados Unidos tem importância”, acrescentou a fonte.
Em 2025, 27% da produção de celulose solúvel da fábrica de Camaçari foi destinada à América do Norte. O produto é utilizado na fabricação de viscose e também na produção de alimentos, medicamentos e itens de higiene, conforme o grau de pureza.
A taxação foi adotada após a investigação conduzida pelo Escritório de Representação Comercial dos Estados Unidos (USTR), no âmbito da Seção 301 da Lei de Comércio americana, que classificou como “injustas” determinadas políticas brasileiras. Inicialmente, a celulose solúvel constava na lista de isenções provisórias, mas foi retirada após solicitação da empresa norte-americana Rayonier Advanced Materials (RYAM), concorrente da Bracell no mercado dos Estados Unidos.
“Atualmente, somos a única produtora remanescente nos Estados Unidos de celulose solúvel de alta pureza. Essa realidade reforça a importância desta investigação. Um dos principais fatores que ameaçam a viabilidade dessa indústria doméstica crítica é a exposição contínua a importações com preços artificialmente baixos, particularmente provenientes do Brasil e da Noruega”, disse a empresa, em audiência no USTR, antes da decisão americana de taxar o insumo.
Os embarques baianos de celulose solúvel para os Estados Unidos já vinham apresentando retração antes da adoção da tarifa. Em 2025, as exportações caíram 20,3%, totalizando US$ 96,2 milhões, segundo levantamento da Federação das Indústrias do Estado da Bahia (Fieb). A expectativa do setor é de que esse recuo se intensifique com a nova medida.
A Fieb informou que discute, em conjunto com o governo da Bahia, um pedido para que o governo federal atue pela reinserção da celulose solúvel na lista de produtos isentos da tarifa. Procuradas, Bracell e RYAM não comentaram.