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Inclusão da celulose solúvel na lista de produtos taxados preocupa indústria baiana, enquanto impacto sobre Suzano e Klabin tende a ser limitado
A tarifa de 25% imposta pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros deve afetar cerca de 24% das exportações do setor brasileiro de celulose e papel, segundo levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI). Entre os produtos atingidos estão a celulose solúvel, papéis para escrita, papel-cartão utilizado em embalagens de bebidas e papéis com revestimento térmico direto.
A inclusão da celulose solúvel entre os itens tarifados surpreendeu o setor, já que o produto constava anteriormente na lista provisória de exceções. A medida gerou preocupação principalmente na Bahia, onde o insumo representa o principal item da pauta de exportações para o mercado norte-americano.
A Indústria Brasileira de Árvores (Ibá) informou que painéis de madeira, MDF, MDP e pisos laminados também foram impactados pela nova tarifa. Em contrapartida, as celuloses de fibra curta, fibra longa e do tipo fluff permaneceram isentas.
Segundo Daniel Sasson, analista de commodities do Itaú BBA, os efeitos financeiros para Suzano e Klabin devem ser limitados, devido à baixa exposição das empresas aos produtos tarifados destinados aos Estados Unidos. No caso da Suzano, um dos principais produtos exportados ao mercado americano é a celulose de fibra curta, que não foi incluída na sobretaxa.
Em relação à Klabin, o analista avalia que o impacto sobre a receita deverá ser reduzido, já que a maior parte das vendas de celulose tem como destino a Europa e o mercado doméstico concentra a maior parcela das vendas de papel.
“Cerca de 40% do negócio da Klabin são de celulose, com a maior parte para Europa, mais do que para a China, e pouca coisa para os EUA. Dos 60% do Ebitda que são papel, a maior parte é para o mercado doméstico. Ou seja, o impacto para a Klabin deve ser de, no máximo, 2% a 3% da receita. Isso não significa necessariamente que a empresa perderá essa parcela, porque poderá redirecionar os embarques para outros mercados”, disse.
Apesar da expectativa de impacto limitado, a Klabin já observou queda de 39% nas exportações de sacos industriais de papel para o mercado externo no primeiro trimestre de 2026, em comparação ao mesmo período do ano anterior. Segundo a companhia, parte da retração está relacionada às medidas tarifárias adotadas por outros países. O redirecionamento de parte dos embarques ao mercado interno reduziu a queda total das vendas para 4%.
Na Bahia, a nova tributação sobre a celulose solúvel elevou de 23,5% para 33,2% a participação dos produtos exportados para os Estados Unidos sujeitos à sobretaxa, conforme cálculos da Federação das Indústrias do Estado da Bahia (Fieb).
“Claro, o mercado americano não é o único destino das exportações de celulose solúvel, e há outros. Mas é um produto que tem peso na nossa pauta de exportações, e foi exatamente a inserção dele na lista dos tarifados que fez com que o total de produtos tarifados exportados para os EUA subisse para mais de um terço”, disse Marcus Verhine, gerente-executivo de desenvolvimento industrial da entidade.
A Bracell, uma das principais produtoras brasileiras de celulose solúvel, também deve ser impactada pela medida. Em 2025, 27% da produção da unidade de Camaçari (BA) foi destinada à América do Norte, enquanto a Ásia respondeu por 69% das exportações.
Os embarques baianos de celulose solúvel para os Estados Unidos já vinham apresentando retração. No ano passado, as exportações somaram US$ 96,2 milhões, uma queda de 20,3% em relação ao ano anterior. A expectativa do setor é que a nova tarifa acelere o redirecionamento das vendas para outros mercados.
Diante desse cenário, a Fieb articula, em conjunto com o governo da Bahia, um pedido para que o governo federal negocie a reinclusão da celulose solúvel na lista de produtos isentos da tarifa norte-americana.
“Ainda não fizemos um direcionamento em ofício ao governo. Foi apenas em nota pública, mas pretendemos fazer isso em alinhamento com o governo do Estado da Bahia”, disse o dirigente.