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Companhia prioriza ganhos de eficiência na joint venture com a Kimberly-Clark enquanto busca ampliar sua atuação na cadeia produtiva e reduzir a exposição às oscilações do mercado de fibra curta
A Suzano, maior produtora global de celulose de mercado, mantém sua estratégia de diversificação de negócios em meio à expansão da oferta global da matéria-prima. A companhia busca ampliar sua atuação em diferentes etapas da cadeia produtiva e fortalecer fontes alternativas de receita, enquanto acompanha as mudanças na dinâmica do mercado de celulose de fibra curta.
“O setor de celulose vive momento de aumento de oferta, impulsionado pela China, mas também pela América Latina, mas continua sendo um mercado promissor onde a demanda continua crescente”, disse Pablo Machado, vice-presidente executivo de bens de consumo e estratégia da Suzano.
Segundo o executivo, o negócio de bens de consumo contribui para diversificar o portfólio da companhia e reduzir sua exposição às oscilações do mercado de celulose, principal atividade da empresa. A estratégia inclui o desenvolvimento das operações próprias e a parceria com a Kimberly-Clark na Arbex, joint venture que reúne os ativos internacionais de papéis de higiene da companhia americana localizados fora dos Estados Unidos.
ARBEX E A ESTRATÉGIA DE DIVERSIFICAÇÃOA criação da Arbex representa um avanço na atuação da Suzano ao longo da cadeia de valor. A companhia já fornecia celulose de fibra curta para a Kimberly-Clark e consolidou essa posição nas unidades incorporadas à joint venture por prazo indeterminado.
A nova empresa reúne 22 unidades industriais distribuídas por 14 países, com operações de produção e comercialização de produtos de higiene. Apesar da parceria, a Suzano mantém o desenvolvimento de seu próprio negócio de bens de consumo e não descarta uma eventual integração futura entre as operações.
“No momento, não acreditamos que faça sentido juntar operações, já que a Arbex ainda tem muitos ganhos a serem capturados. Mas, no momento em que sentirmos que a operação de ‘tissue’ da Suzano chegou ao seu ápice, podemos considerar a fusão de operações de bens de consumo”, disse Machado.
De acordo com o executivo, a decisão dependerá da evolução dos negócios e de um acordo entre os acionistas. Até lá, a prioridade é aproveitar as oportunidades de crescimento e eficiência operacional da Arbex, enquanto a Suzano continua desenvolvendo suas próprias operações.
EFICIÊNCIA OPERACIONAL E CAPTURA DE VALORA busca por ganhos de eficiência também integra os planos da Suzano para a joint venture. No início deste ano, o presidente da companhia, Beto Abreu, afirmou que a meta era gerar US$ 175 milhões em eficiência operacional na Arbex ao longo dos três anos seguintes.
A experiência da Suzano na integração de ativos industriais contribui para essa estratégia. Em 2023, a companhia adquiriu da Kimberly-Clark as operações brasileiras de papéis de higiene, incluindo marcas como Neve e a fábrica de Mogi das Cruzes (SP).
A unidade, que possui capacidade anual de produção de 130 mil toneladas de papel semiacabado, passou a integrar a estrutura industrial da Suzano e é abastecida com celulose proveniente das fábricas de Jacareí (SP), Limeira (SP), Três Lagoas (MS) e Ribas do Rio Pardo (MS).
“Passamos a operar a fábrica e as marcas da KC, o que nos colocou na liderança [do mercado de ‘tissue’]”, disse Machado. “Em seis meses, conseguimos reduzir custos na planta na ordem de 40%”, disse o executivo.
MERCADO DE CELULOSE E PERSPECTIVAS DE CRESCIMENTOA estratégia de diversificação ocorre em um momento de aumento da oferta global de celulose, impulsionado pela expansão produtiva na China e na América Latina. Para a Suzano, a ampliação da presença em segmentos consumidores representa uma forma de diversificar receitas e capturar valor em etapas posteriores à produção da matéria-prima.
Apesar das pressões sobre o mercado, a companhia mantém uma perspectiva positiva para o setor no longo prazo, apoiada na expectativa de crescimento da demanda global.
Nesse cenário, a combinação entre competitividade industrial, eficiência operacional e diversificação de negócios permanece central para a estratégia da Suzano. Uma eventual integração entre suas operações próprias e a Arbex segue como possibilidade futura, condicionada à maturidade dos negócios e à captura dos ganhos previstos na joint venture.