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Portal Celulose - 28/07/2026

Setor brasileiro de papel e celulose cresce, mas cenário global exige atenção

Avanços em produtividade, inovação e manejo florestal sustentam a competitividade do setor diante da pressão sobre preços e do aumento da concorrência internacional

Setor brasileiro de papel e celulose cresce, mas cenário global exige atenção

A indústria brasileira de papel e celulose encerrou 2025 com desempenho acima das expectativas, consolidando a liderança do país nas exportações globais de celulose. A produção de celulose atingiu 29,4 milhões de toneladas, alta de 6,9% em relação a 2024, enquanto as exportações cresceram 11,6%, somando 20,7 milhões de toneladas. Já a produção de papel permaneceu estável em 11,3 milhões de toneladas, com avanço de 4,8% nas exportações.

Apesar dos resultados positivos, especialistas alertam que o cenário internacional exige atenção. A expansão da capacidade produtiva, a instabilidade do comércio global e o crescimento da produção integrada na China aumentam a oferta no mercado, pressionam os preços e reduzem as margens da indústria.

O protagonismo brasileiro é resultado da combinação entre condições climáticas favoráveis, alta produtividade das florestas plantadas e investimentos contínuos em pesquisa e inovação. Robinson Cannaval, diretor-executivo do Instituto de Pesquisas e Estudos Florestais (Ipef), afirma que esses fatores transformaram o Brasil em uma potência global do setor. “O Brasil passou de importador de papel e celulose para ser o segundo maior produtor do mundo, atrás dos Estados Unidos e à frente da China”, afirma Cannaval. O executivo acrescenta: “Quando se fala em floresta plantada, temos os melhores índices de produtividade, graças aos altos investimentos em ciência e tecnologia”.

Dados da Indústria Brasileira de Árvores (Ibá) mostram que a área de florestas plantadas destinada à silvicultura alcançou 10,5 milhões de hectares em 2024, último levantamento disponível, gerando uma receita bruta de aproximadamente R$ 240 bilhões.

Embora o ciclo produtivo do eucalipto, de cerca de sete anos, continue sendo um diferencial frente a outros países, onde pode superar 15 anos, Cannaval pondera que essa vantagem vem diminuindo. “Isso tem muito a ver com aumento de custo de mão de obra e mudanças climáticas, que fazem com que as florestas estejam em ambiente de menor pluviosidade e aumento da temperatura”, diz.

Diante desse cenário, especialistas avaliam que a competitividade do setor dependerá cada vez mais da integração logística, da digitalização da cadeia produtiva, da disponibilidade energética e do aumento da produtividade florestal.

Na Klabin, esses fatores orientam a estratégia da companhia. Darlon Orlamünder de Souza, diretor de sustentabilidade, P&D+I e estratégia & mercado, destaca que a empresa investe em resiliência florestal e melhoramento genético para elevar a produtividade. “Um dos destaques é o trabalho com embriogênese somática de pínus, tecnologia que permite ganhos significativos de produtividade, uniformidade e qualidade genética”, diz Souza. O executivo acrescenta: “Atuamos ainda com tecnologias florestais para o desenvolvimento de mudas mais resilientes às condições climáticas adversas e pesquisas aplicadas ao controle de pragas e à melhoria na qualidade da matéria-prima e das propriedades da madeira”.

Segundo Souza, a estratégia já apresenta resultados. Ele informa que a companhia alcançou incremento médio anual de produtividade superior a 54 metros cúbicos por hectare para eucalipto e 39 metros cúbicos por hectare para pínus.

Na Suzano, a produtividade florestal também evoluiu. Douglas Lazaretti, vice-presidente executivo florestal da empresa, ressalta que houve aumento de dois pontos percentuais entre 2023 e 2025, mesmo em um período de baixa precipitação. “A relevância está no ganho em um período de baixa precipitação. Nos últimos seis anos, choveu 180 milímetros a menos por ano”, afirma. Ele explica: “A redução de chuva nesse patamar nos traria um impacto negativo da ordem de 7 metros cúbicos de madeira por hectare por ano, principal medida de produtividade adotada pelo setor. Mesmo assim, crescemos”.

Lazaretti atribui o desempenho ao melhoramento genético, à seleção de clones para cada região e ao uso de tecnologia. Entre as iniciativas, destaca a plataforma Anomal-IA. “Inicialmente, o sistema era focado em detectar e classificar pragas, vendavais, focos de incêndio e geadas. Atualmente, oferece múltiplos modelos de monitoramento que nos dão uma visão quase em tempo real da saúde de nossos ativos”.

Para Alan Batista, CFO da Symbiosis Investimentos, a crescente demanda por produtos renováveis e de menor pegada de carbono representa uma oportunidade para ampliar a competitividade da indústria brasileira. “Isso vale para celulose e para madeiras tropicais”, afirma. Batista observa: “O consumo mundial de madeira tropical serrada é de 75 milhões de metros cúbicos. No passado, o Brasil respondia por 20% desse mercado. Atualmente, não passa de 3%”.

A empresa investe no melhoramento genético de espécies da Mata Atlântica para ampliar a eficiência produtiva. “Temos clones de louro-pardo com potencial de eficiência 60% maior que as sementes nativas”, diz Batista. O executivo conclui: “Com a prática da silvicultura, entregamos reputação ao mercado internacional. Ninguém quer mais madeira fruto de desmatamento”.

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