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Portal Celulose - 08/07/2026

Recuperação do setor de papel e celulose ganha força no segundo trimestre, diz Safra

Melhora nos preços, sazonalidade favorável e avanço dos embarques sustentam projeções mais otimistas, apesar da pressão dos custos

Recuperação do setor de papel e celulose ganha força no segundo trimestre, diz Safra

O setor de papel e celulose deve apresentar uma melhora nos resultados financeiros no segundo trimestre de 2026, embora ainda sem alcançar um desempenho considerado robusto. A avaliação é do Safra, que revisou para cima suas estimativas para as principais empresas do segmento diante da combinação de preços mais elevados, sazonalidade favorável e crescimento dos volumes em algumas operações.

De acordo com o banco, Suzano, Klabin, Dexco e CMPC devem registrar resultados superiores aos do trimestre anterior. Ainda assim, em alguns casos, as projeções permanecem abaixo do consenso do mercado, indicando que a recuperação do setor continua em ritmo gradual.


SUZANO DEVE AVANÇAR COM PREÇOS MAIS ALTOS DA CELULOSE
Para a Suzano, o Safra estima EBITDA de R$ 4,7 bilhões no segundo trimestre de 2026, crescimento de 3% em relação ao trimestre anterior. Apesar da evolução, a projeção segue abaixo da expectativa média do mercado.

O principal impulso deve vir da divisão de celulose, cujo EBITDA deve avançar 9%, sustentado pelo aumento dos preços realizados e por um leve crescimento dos embarques. O banco projeta preço médio de US$ 600 por tonelada, alta de 7% na comparação trimestral, enquanto os volumes embarcados devem crescer 2%, favorecidos pela sazonalidade.

Por outro lado, custos mais elevados com diesel, frete e manutenção devem limitar parte da expansão operacional.

No segmento de papel, a expectativa também é positiva. O Safra prevê EBITDA de R$ 530 milhões, impulsionado pelo aumento dos embarques e por reajustes moderados de preços.


KLABIN DEVE SER BENEFICIADA POR EMBALAGENS E CELULOSE
A Klabin deve apresentar EBITDA de R$ 1,8 bilhão no segundo trimestre, avanço de 16% em relação ao primeiro trimestre de 2026.

Segundo o Safra, o desempenho será impulsionado pelos preços mais elevados da celulose e pela recuperação dos volumes de embalagens e cartão revestido. A demanda por caixas de papelão ondulado e sacarias deve crescer no período, enquanto o segmento de cartões tende a se beneficiar da maior procura dos setores de bebidas e embalagens para bens de consumo.

O banco também destaca a redução do custo caixa, favorecida pela ausência de paradas de manutenção, fator que deve compensar parte da pressão provocada pelos custos de energia. Com isso, a companhia deve registrar melhora na rentabilidade operacional medida pelo EBITDA por tonelada.


DEXCO DEVE AMPLIAR RECUPERAÇÃO OPERACIONAL
As projeções do Safra também indicam evolução para a Dexco. O banco estima EBITDA ajustado de R$ 520 milhões no segundo trimestre, alta de 9% frente ao período anterior.

A divisão Wood deve liderar esse avanço, sustentada pelo aumento dos preços realizados e pelo crescimento dos embarques. Mesmo diante da elevação dos custos de produção, a expansão da receita deve preservar a evolução operacional da companhia.

A expectativa também é de melhora na divisão Deca, favorecida pelos reajustes de preços, enquanto a operação de revestimentos deve retornar ao campo positivo após resultados mais fracos nos últimos trimestres.

Em contrapartida, a LD Celulose deve sofrer impacto da valorização do real, que reduz parte dos ganhos proporcionados pelos preços mais elevados da celulose no mercado internacional.


CMPC DEVE AVANÇAR COM DESEMPENHO DA CELULOSE
Para a CMPC, o Safra projeta EBITDA ajustado de US$ 271 milhões no segundo trimestre, crescimento de 6% em relação ao trimestre anterior.

O avanço deve ser liderado pela divisão de celulose, beneficiada pelos preços mais altos e pelo aumento dos embarques. Já as operações da Softys e da Biopackaging tendem a registrar desempenho mais fraco, reflexo da elevação dos custos e das despesas operacionais.

Ainda assim, o banco avalia que a evolução da divisão de celulose será suficiente para compensar a pressão enfrentada pelas demais áreas da companhia.


CUSTOS SEGUEM COMO PRINCIPAL DESAFIO
Apesar da expectativa de melhora, o Safra ressalta que o setor ainda enfrenta obstáculos para uma recuperação mais consistente.

A inflação de custos, especialmente com diesel, frete, energia e produtos químicos, continua pressionando as margens das empresas. Além disso, parte das companhias ainda convive com impactos de manutenções industriais e da volatilidade cambial.

Mesmo diante desses desafios, o ambiente de preços mais favorável e a recuperação gradual da demanda reforçam uma perspectiva mais positiva para o desempenho do setor de papel e celulose no segundo trimestre de 2026.

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