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Portal Celulose - 14/07/2026

Paradas de manutenção impactam exportações brasileiras de celulose no primeiro trimestre

Queda de 10,2% nos embarques reflete interrupções programadas nas fábricas, recomposição de estoques e um mercado internacional ainda pressionado

Paradas de manutenção impactam exportações brasileiras de celulose no primeiro trimestre

O volume de exportações brasileiras de celulose recuou 10,2% no primeiro trimestre de 2026 em comparação com o mesmo período do ano anterior, reflexo principalmente das paradas programadas para manutenção em fábricas do setor. Segundo dados da Indústria Brasileira de Árvores (Ibá), os embarques somaram 4,8 milhões de toneladas entre janeiro e março, abaixo das 5,3 milhões de toneladas registradas no primeiro trimestre de 2025, quando o crescimento havia sido de 14,8%.

Para Daniel Sasson, analista de commodities do Itaú BBA, a concentração das paradas de manutenção reduziu a produção e, consequentemente, o volume exportado. “Nos primeiros meses do ano, vimos uma concentração de parada de manutenção muito grande de plantas de celulose. De fato, o volume produzido foi um pouco mais baixo mesmo e, consequentemente, exportações um pouco mais baixas também”, disse ao Valor.

Apesar da retração no volume embarcado, a queda na receita foi mais moderada. As exportações passaram de US$ 2,7 bilhões para US$ 2,6 bilhões no primeiro trimestre de 2026, uma redução de 6,3%.

Entre os principais destinos da celulose brasileira, apenas América Latina e África registraram crescimento na receita, alcançando US$ 90,3 milhões e US$ 26 milhões, respectivamente, com altas de 42,9% e 15%. Já a China, principal mercado consumidor, apresentou queda de 1,7%, totalizando US$ 1,3 bilhão. Na Europa, segundo maior destino, a retração foi de 5,8%, para US$ 660,4 milhões, enquanto a América do Norte registrou recuo de 18,3%.

O desempenho da Suzano também influenciou o resultado consolidado do setor. Segundo Sasson, o forte volume de vendas registrado pela companhia no último trimestre de 2025 levou à necessidade de recomposição de estoques no início deste ano. “O quarto trimestre de 2025 foi muito forte para a Suzano em volumes. Por isso, no início deste ano, a empresa precisou recompor estoques”, afirmou.

De acordo com o balanço financeiro da empresa, as vendas de celulose atingiram 2,8 milhões de toneladas no primeiro trimestre, uma queda de 17% em relação às 3,4 milhões de toneladas comercializadas no trimestre anterior.

Para o analista, a combinação entre menor produção e ajuste de estoques explica o desempenho mais fraco das exportações no período. “Essa necessidade de recomposição de estoques na cadeia, aliada a uma produção mais fraca por conta das paradas de manutenção, fez com que os embarques neste começo de ano não fossem tão fortes”, disse Sasson.

Na avaliação da fornecedora finlandesa de equipamentos Valmet, o mercado internacional de celulose de fibra curta atravessa um ciclo de baixa há pelo menos cinco trimestres. Segundo Celso Tacla, vice-presidente executivo da companhia, o aumento da produção doméstica na China e a maior integração vertical dos fabricantes chineses, que passaram a consumir uma parcela maior da própria celulose em suas fábricas de papel e embalagens, têm ampliado a pressão sobre o segmento.

“Em resposta a esse cenário, diversos produtores adotaram paradas programadas, reduções temporárias de produção e programas de eficiência e controle de custos para preservar margens e contribuir para o reequilíbrio entre oferta e demanda”, disse Tacla.

O executivo acrescenta que essas medidas devem continuar influenciando o setor ao longo do ano. “Ainda há volume significativo de paradas de manutenção e ajustes operacionais previstos para a segunda metade do ano.”

No consolidado do setor de celulose, papel e produtos de madeira, o valor das exportações também apresentou retração no primeiro trimestre de 2026. Os embarques somaram US$ 3,6 bilhões, uma queda de 10,1% em relação aos US$ 4 bilhões registrados no mesmo período do ano passado.

A Valmet também observa impactos das tarifas comerciais impostas pelos Estados Unidos sobre o mercado global de papel. Segundo Tacla, parte das exportações chinesas de papel-cartão foi redirecionada para mercados como a América Latina, elevando a concorrência. “Esse movimento aumentou a competição e trouxe volatilidade para alguns segmentos, com a entrada de produtos de alta qualidade e preços competitivos, enquanto os mercados de kraftliner, usado em embalagens, e tissue, papéis de higiene, têm demonstrado maior resiliência”, disse Tacla.

Além disso, o executivo afirma que a empresa acompanha um processo de racionalização da capacidade produtiva mundial, com o fechamento ou a desativação de fábricas menos competitivas de celulose e papel em diferentes regiões, incluindo mercados latino-americanos.

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