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Alta no preço da celulose de fibra curta branqueada impulsiona embarques, enquanto Belo Oriente amplia vendas e China mantém liderança entre os destinos
As exportações de celulose de Minas Gerais somaram US$ 626,4 milhões entre janeiro e julho de 2026, alta de 9,5% em relação ao mesmo período do ano passado. Os dados são da plataforma Comex Stat, do governo federal.
Segundo o vice-presidente do Sindicato das Indústrias de Celulose, Papel e Papelão no Estado de Minas Gerais (Sinpapel), Antônio Baggio, o crescimento dos embarques foi impulsionado pela valorização da celulose de fibra curta branqueada. “O preço internacional reagiu”, afirma. “Ano passado era US$ 470. Hoje está em US$ 565 a tonelada”, acrescenta.
Baggio destaca que, em períodos anteriores, a tonelada da celulose de fibra curta branqueada chegou a ser negociada a US$ 780. O preço, porém, recuou com a expansão da oferta global. Para o executivo, como o mercado é dinâmico, ainda não é possível prever em que patamar ficará a cotação no restante de 2026 nem se as exportações manterão o ritmo de crescimento.
BELO ORIENTE AMPLIA PARTICIPAÇÃO NAS EXPORTAÇÕESLocalizado no Vale do Rio Doce, Belo Oriente respondeu por 57,9% das exportações mineiras de celulose nos primeiros sete meses de 2026. O município embarcou US$ 362,4 milhões, valor 31% superior ao registrado no mesmo período de 2025.
Os dados indicam que a principal contribuição para o avanço das exportações estaduais veio da Celulose Nipo-Brasileira (Cenibra), que produz celulose branqueada de fibra curta de eucalipto em Belo Oriente. Baggio ressalta, no entanto, que os números da empresa não correspondem exatamente aos registrados para o município, embora sejam próximos.
Na direção oposta, Indianópolis, no Triângulo Mineiro, apresentou queda nas vendas externas. Segundo maior município exportador de celulose do Estado, a localidade registrou recuo de 10,7% no valor exportado, para US$ 263,9 milhões.
O desempenho sugere uma retração nos negócios da LD Celulose, que mantém uma fábrica de celulose solúvel em Indianópolis. “A LD Celulose refluiu porque sua celulose, além de ter finalidade diferente, deve ter tido parada para manutenção, o que geralmente impacta na oferta ao mercado e no faturamento”, pondera o vice-presidente do Sinpapel.
CHINA SEGUE COMO PRINCIPAL DESTINOA China manteve ampla liderança entre os destinos da celulose mineira. De janeiro a julho, o país asiático importou US$ 331,7 milhões, alta de 7,2% em relação ao mesmo intervalo de 2025. De acordo com Baggio, o crescimento do valor exportado está relacionado principalmente à valorização da celulose no mercado internacional.
Entre os municípios, Belo Oriente aumentou em 54,8% os embarques de celulose para a China, alcançando US$ 128,3 milhões. Indianópolis, que ainda é o maior exportador mineiro para o mercado chinês, registrou queda de 10,2%, para US$ 203,4 milhões.
A Itália apareceu na segunda posição entre os maiores compradores de celulose de Minas Gerais nos primeiros sete meses de 2026, superando os Países Baixos, que ocupavam esse posto em 2025.
As importações italianas, todas provenientes de Belo Oriente, somaram US$ 55,9 milhões, crescimento de 36% na comparação com os primeiros sete meses do ano passado.