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Portal Celulose - 07/07/2026

Mesmo com desaceleração em maio, celulose mantém protagonismo no crescimento industrial

Apesar do recuo do segmento, investimentos no setor e o avanço do agronegócio mantêm perspectivas positivas para 2026

Mesmo com desaceleração em maio, celulose mantém protagonismo no crescimento industrial

A indústria brasileira interrompeu, em maio, uma sequência de quatro meses consecutivos de crescimento. A produção industrial recuou 0,2% em relação a abril, resultado influenciado principalmente pela queda das indústrias extrativas e da fabricação de coque, derivados de petróleo e biocombustíveis. Nesse cenário, a cadeia de celulose também perdeu ritmo e registrou retração na comparação anual, embora continue sustentada pelo ciclo de investimentos em andamento no país.

Dados divulgados na última sexta-feira, 3, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que a atividade industrial permanece 4,5% acima do nível registrado antes da pandemia, mas ainda está 13% abaixo do pico histórico alcançado em 2011.

A maior contribuição para o resultado negativo de maio veio da fabricação de coque, derivados de petróleo e biocombustíveis, cuja produção caiu 6,1%. As indústrias extrativas também registraram retração de 2,6%, interrompendo, assim como o primeiro segmento, uma sequência de cinco meses consecutivos de crescimento. Entre os produtos que mais influenciaram o desempenho estão álcool etílico, gasolina, minério de ferro, petróleo bruto e gás natural.

Na direção oposta, a indústria farmacêutica cresceu 13,1%, enquanto a fabricação de veículos automotores avançou 4,1% e a de produtos químicos registrou alta de 3,1%, amenizando parte das perdas da indústria.


CADEIA DE CELULOSE PERDE RITMO
Na comparação com maio de 2025, o segmento de celulose, papel e produtos de papel apresentou retração de 2,7%, figurando entre os principais recuos da indústria nacional.

O resultado ocorre em um momento de forte expansão do setor, impulsionado pela entrada em operação de novas fábricas e pela execução de projetos bilionários, especialmente em Mato Grosso do Sul. Embora o indicador reflita o desempenho nacional, ele aponta uma desaceleração pontual em uma das cadeias industriais que mais cresceram nos últimos anos.


AGRONEGÓCIO CONTINUA SUSTENTANDO A INDÚSTRIA
Apesar da queda registrada em maio, os segmentos ligados ao agronegócio seguem entre os principais motores da atividade industrial em 2026.

No acumulado dos cinco primeiros meses do ano, a fabricação de produtos alimentícios avançou 1,3%. Já os biocombustíveis continuam apresentando desempenho positivo, impulsionados pelo aumento da produção de álcool etílico, óleo diesel, querosene de aviação e outros derivados.

Essas atividades possuem peso relevante em Mato Grosso do Sul, que vem ampliando sua participação na produção nacional de etanol, açúcar, proteínas animais e celulose, consolidando uma cadeia industrial cada vez mais integrada ao agronegócio.


SALDO DO ANO PERMANECE POSITIVO
Entre janeiro e maio, a indústria brasileira acumulou crescimento de 1,4% em relação ao mesmo período de 2025. O avanço foi puxado pelas indústrias extrativas (7,9%), pela fabricação de derivados de petróleo e biocombustíveis (5,1%), pela indústria farmacêutica (11,5%), pelo setor automotivo (3,2%) e pela produção de alimentos.

Entre as grandes categorias econômicas, os bens intermediários, que incluem insumos destinados à indústria e ao agronegócio, cresceram 2,1%.

O único segmento que segue acumulando perdas mais expressivas é o de bens de capital, responsável pela fabricação de máquinas e equipamentos, com queda de 6,2% no ano. O resultado reflete, principalmente, a menor produção de máquinas agrícolas e equipamentos industriais, indicando um ritmo mais moderado dos investimentos produtivos.

Mesmo com a desaceleração observada em maio, o avanço dos biocombustíveis, a força da agroindústria e o ciclo de investimentos em celulose mantêm o agronegócio entre os principais sustentáculos da indústria brasileira ao longo de 2026.

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