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Portal Celulose - 30/06/2026

Mercado global de celulose se divide entre pressão da China e resiliência da Europa

Analistas acompanham a divergência entre os principais mercados consumidores e avaliam os reflexos para empresas do setor

Mercado global de celulose se divide entre pressão da China e resiliência da Europa

O mercado global de papel e celulose segue apresentando dinâmicas distintas entre as principais regiões consumidoras, reforçando um cenário marcado por diferentes ciclos de oferta e demanda. Enquanto a Europa registra avanço nos preços impulsionado pelo aumento dos custos da celulose, a América do Norte mantém estabilidade. No Brasil, o excesso de oferta continua dificultando a implementação de reajustes, enquanto a China segue pressionada pela demanda fraca e pelo aumento da capacidade produtiva.

Segundo relatório do Santander, assinado pelos analistas Yuri Pereira e Laura Zioli, a divergência entre mercados tem sido um dos principais fatores para o comportamento recente dos preços da celulose.


CHINA CONTINUA DITANDO O CICLO GLOBAL
A China permanece como o principal mercado de referência para o setor. De acordo com análise do Goldman Sachs, os preços da celulose de fibra curta (hardwood) atingiram um patamar que historicamente costuma marcar perda de sustentação, especialmente quando se aproximam de US$ 600 por tonelada.

Nesses níveis, produtores chineses integrados tornam-se mais competitivos, reduzindo a demanda por celulose de mercado e enfraquecendo o poder de negociação dos fornecedores internacionais.

Embora os preços tenham permanecido relativamente estáveis desde o fim do primeiro trimestre, o Goldman destaca que os volumes comercializados entre abril e maio ficaram abaixo do esperado, resultando em aumento dos estoques dos produtores.

Com o encerramento do trimestre, a necessidade de vendas cresce, enquanto os compradores seguem sem pressa para recompor estoques. Recentemente, a Fastmarkets RISI reportou cortes de US$ 20 por tonelada nas ofertas da Arauco e da CMPC, para cerca de US$ 580 por tonelada, mas o banco avalia que a redução ainda não foi suficiente para estimular uma recuperação consistente da demanda.

Na avaliação do Goldman Sachs, os preços devem continuar recuando até que haja um novo equilíbrio entre oferta e demanda. O banco também alerta que a diferença superior a US$ 50 por tonelada entre os preços praticados na China e em outros mercados tende a se reduzir ao longo dos próximos meses.

Além disso, a entrada de novas capacidades produtivas na China e na Indonésia até o final do ano deve ampliar a pressão sobre o mercado global.

Os dados mais recentes da FOEX mostram estabilidade da celulose importada de fibra curta em US$ 605 por tonelada na China. Já os preços domésticos recuaram para uma faixa equivalente entre US$ 549 e US$ 556 por tonelada. Na fibra longa (softwood), os preços caíram para US$ 641 por tonelada, acompanhados por novas quedas no mercado interno chinês.


EUROPA APRESENTA AMBIENTE MAIS EQUILIBRADO
Na Europa, o cenário é considerado mais favorável para a celulose de fibra curta. Segundo avaliação do Banco Safra, os preços seguem em trajetória de alta, enquanto a fibra longa permanece estável em torno de US$ 1.655 por tonelada.

Para o banco, o movimento reflete um ambiente mais saudável para a fibra curta, embora parte da valorização observada ao longo do ano também esteja relacionada ao aumento do desconto entre os preços de tabela e os efetivamente praticados no mercado.


SUZANO SEGUE COMO FAVORITA ENTRE ANALISTAS
Diante desse cenário, o Safra mantém a Suzano como sua principal recomendação no setor. A avaliação considera o posicionamento da companhia para atravessar o atual ciclo da celulose, sustentado por maior geração de caixa livre e avanço no processo de desalavancagem.

Para a Klabin, o banco entende que os preços das ações já incorporam um cenário mais conservador para celulose e câmbio, o que cria potencial de valorização. Já a CMPC é vista como a alternativa menos atrativa no momento, em razão de sua menor atratividade relativa e dos riscos associados a novos ciclos de investimento.

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