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Portal Celulose - 06/11/2026

Melhoramento genético tradicional segue como aposta da Klabin para elevar produtividade florestal

Empresa avalia que cruzamentos e hibridização ainda oferecem ganhos mais rápidos e eficientes para suas operações, mas não descarta o uso futuro de ferramentas de edição genética

Melhoramento genético tradicional segue como aposta da Klabin para elevar produtividade florestal

Apesar da retomada das discussões sobre o plantio comercial de eucalipto geneticamente modificado ou editado, a Klabin mantém sua estratégia concentrada no melhoramento genético tradicional. A companhia, maior produtora de papéis para embalagem e de embalagens de papelão ondulado do país, avalia que os métodos convencionais continuam proporcionando ganhos de produtividade mais rápidos e eficientes para suas florestas.

“Não plantamos e não temos intenção de plantar [eucalipto transgênico], porque temos uma estratégia muito robusta, que dá resultados rápidos voltados para o melhoramento genético tradicional”, disse em entrevista Darlon Orlamunder, diretor de pesquisa, desenvolvimento, sustentabilidade, estratégia e mercado da Klabin. “Agora, o futuro é dinâmico, não estou dizendo que nunca vamos fazer também. Não é essa a nossa postura.”

Atualmente, o plantio de eucalipto modificado ou editado geneticamente não é proibido para os produtores de celulose. No entanto, certificadoras não concedem selos verdes às empresas que adotam essas tecnologias, o que pode comprometer o acesso a mercados que exigem essa certificação.


Nesse contexto, a Indústria Brasileira de Árvores (Ibá), entidade que reúne 48 empresas do setor, vem articulando a revisão das normas que restringem esses plantios junto às instituições responsáveis pelos critérios de auditoria florestal.

A posição da Klabin difere da estratégia de concorrentes como a Suzano, que desenvolve pesquisas e mantém plantios experimentais de eucalipto com edição e modificação genética por meio de sua subsidiária FuturaGene. A chilena Arauco também investe em pesquisas nessa área, em parceria com a americana Treeco.

Apesar de não adotar essas tecnologias atualmente, a Klabin não se posiciona contra o avanço das discussões. “Vemos a edição e a transgenia como uma ferramenta existente e nossa postura é ter o debate. Não nos opomos, mas não é a nossa estratégia”, afirmou Orlamunder. Segundo ele, qualquer mudança nas regras e práticas do setor dependerá de consenso. “Não adianta o setor produtivo enxergar um benefício econômico se não tiver benefício ambiental e social visível.”


MELHORAMENTO TRADICIONAL COMO ESTRATÉGIA DE PRODUTIVIDADE
A trajetória da Klabin no desenvolvimento genético florestal começou na década de 1960, quando a companhia iniciou a formação de seus pomares de pinus e eucalipto com sementes provenientes dos Estados Unidos, da Austrália e da Indonésia. Desde então, construiu um dos maiores acervos de base genética florestal do país.

O programa de melhoramento inclui técnicas de cruzamento entre espécies e hibridização, também utilizadas por grande parte da indústria de celulose e fundamentais para os avanços de produtividade registrados pelo setor ao longo dos anos.

A companhia já avaliou possibilidades de modificação e edição genética no passado e, mais recentemente, voltou a estudar esses conceitos em parceria com outras instituições. A conclusão, porém, foi que o melhoramento tradicional ainda oferece resultados superiores para as características de suas operações.

Segundo Orlamunder, as condições climáticas e a qualidade do solo da região Sul, onde a empresa concentra suas atividades, favorecem o desenvolvimento de cruzamentos convencionais. “O inverno nos ajuda, porque temos uma temperatura que baixa o suficiente para reduzir a população de insetos, mas não o suficiente para matar plantas”, explicou o executivo, que também preside o conselho deliberativo do Instituto de Pesquisa e Estudos Florestais (Ipef).

“De onde estamos, com o material que já desenvolvemos e a tecnologia tradicional disponível, nossa curva de aumento de produtividade é mais alta do que se incorporássemos alguma dessas biotecnologias.”

A hibridização permite selecionar e clonar árvores com características superiores de produtividade ou resistência, viabilizando sua produção em escala. Na Klabin, o trabalho busca ampliar o volume de madeira por metro cúbico, ao mesmo tempo que equilibra velocidade de crescimento e densidade da madeira. Para isso, a empresa combina espécies de crescimento mais rápido com outras que apresentam maior densidade de fibra.


INVESTIMENTOS E ADAPTAÇÃO AO ESTRESSE CLIMÁTICO
A estratégia também é sustentada por investimentos em pesquisa e desenvolvimento. Neste ano, a Klabin obteve aprovação do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para um financiamento de R$ 122,55 milhões destinado à área. Desse total, R$ 41,1 milhões serão direcionados ao melhoramento genético de eucalipto e pinus, além de iniciativas para aprimorar a qualidade da madeira.

“Praticamente dobramos nosso investimento em melhoramento genético, porque mantemos esse programa na nossa região para buscar maximizar produtividade, densidade da madeira e rendimento de celulose.”

Outra frente de atuação envolve a preparação das florestas para condições climáticas mais desafiadoras. Diante das preocupações com o estresse climático, a companhia instalou áreas de testes em regiões com menor volume de chuvas e temperaturas mais elevadas, utilizando espécies com maior adaptação à aridez.

“Fizemos isso para já ir testando material genético. É quase como se fosse um seguro”, afirmou Orlamunder.

Embora não utilize plantas geneticamente modificadas ou editadas, a Klabin já incorpora ferramentas de biotecnologia em seus programas florestais. Entre elas estão o mapeamento genético e o uso de marcadores moleculares, que permitem identificar características desejáveis ainda nas primeiras etapas de desenvolvimento das mudas.

“Fazemos a leitura de DNA em mudas novas, de 30 a 90 dias, para medir se a variável desejada está na genética. Isso permite selecionar antecipadamente os indivíduos que vão para o campo.”

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