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Com baixa exposição ao mercado americano, companhia afirma ter redirecionado exportações e diz que reajustes de preços compensaram parte da pressão dos custos no segundo trimestre
A Klabin afirmou que as tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros tiveram impacto limitado sobre seus negócios, em razão da baixa exposição da companhia ao mercado americano e da capacidade de redirecionar exportações para outros destinos. Ao mesmo tempo, a empresa destacou que a recuperação dos preços da celulose e os reajustes aplicados em seus produtos contribuíram para compensar parte da pressão dos custos no segundo trimestre.
Segundo a diretora financeira da Klabin, Gabriela Woge, os Estados Unidos representam aproximadamente 4% da receita da companhia, o que reduz os efeitos diretos das medidas comerciais adotadas pelo governo americano.
“Os Estados Unidos, mesmo antes das tarifas, não eram um mercado extremamente relevante para a companhia”, disse, na última quarta-feira, 5. “Essas tarifas já estão sendo aplicadas há mais de um ano, quando a gente começou a ver esse impacto maior, principalmente para papéis”, disse.
A executiva ressaltou que a empresa mantém uma base de clientes diversificada. “Não temos nenhuma exposição específica a nenhum mercado, inclusive internacionalmente”, afirmou.
Levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI) mostra que a tarifa de 25% aplicada em julho pela administração americana sobre determinados produtos brasileiros, como resultado da investigação conduzida pelo Escritório do Representante Especial de Comércio (USTR, na sigla em inglês), atingiu itens como papel e cartão para escrita, massa base para caixas de leite e outras embalagens de bebidas, além de papel com revestimento térmico.
No caso da Klabin, o principal produto exportado para os Estados Unidos é o papel para sacos industriais, utilizado na construção civil. De acordo com Woge, a companhia conseguiu redirecionar esse volume para outros mercados e para o Brasil, reduzindo os impactos da medida.
“A dinâmica das tarifas especificamente mais confunde o comércio global do que, no fim do dia, tem um impacto específico para nós em vendas diretas”, afirmou.
Segundo a diretora, o bom momento da construção civil brasileira favoreceu essa estratégia. “O setor da construção civil brasileiro está indo bem, então a gente se beneficiou de trazer esse volume para o Brasil ao invés de exportar para os EUA, que hoje tem uma tarifa de 37,5%”, disse.
A reorganização dos fluxos globais de comércio também abriu novas oportunidades para a companhia. Com a redução das exportações americanas para alguns mercados, a Klabin ampliou suas vendas de kraftliner para a Ásia.
“Nosso volume de kraftliner aumentou muito para a Ásia nesse período das tarifas, justamente porque os EUA pararam de exportar para lá”, completou.
RECUPERAÇÃO DA CELULOSE E REAJUSTES COMPENSAM PRESSÃO DOS CUSTOSA Klabin afirmou que os reajustes de preços implementados ao longo do segundo trimestre e a recuperação dos preços da celulose em dólar ajudaram a compensar parte das pressões inflacionárias sobre os custos, permitindo resultados operacionais sólidos mesmo diante do cenário internacional de volatilidade.
Segundo Gabriela Woge, “o destaque do trimestre reflete a fortaleza da companhia e a resiliência ao contexto internacional volátil”.
No período, o custo caixa de produção de celulose aumentou 8% em relação ao mesmo trimestre do ano anterior, para R$ 1.397 por tonelada. Já o custo caixa total da companhia, incluindo os efeitos da parada geral, avançou 1%, para R$ 3.204 por tonelada.
Apesar da alta, a executiva afirmou que a empresa segue disciplinada na gestão dos custos e que o resultado ficou na parte inferior da faixa projetada.
“A nossa meta é se manter dentro do guidance, de R$ 3,2 mil a R$ 3,3 mil por tonelada, e a gente está confiante nessa entrega”, afirmou.
Segundo Woge, parte da pressão veio das medidas adotadas para mitigar os impactos climáticos. “A preparação para o El Niño, como a abertura de estradas e formação de estoques, de alguma forma acabou impactando o nosso custo, mas fatores como repasses de preço compensaram esses aumentos”, explicou.
Ela acrescentou que a companhia também obteve ganhos por meio da redução de custos variáveis, com destaque para renegociações de contratos. “Renegociações de contratos importantes da companhia trouxeram essas economias”, disse, referindo-se especialmente aos contratos de frete concluídos ao longo do primeiro trimestre.
Além da recuperação dos preços da celulose, a diretora destacou o bom desempenho dos mercados de papel-cartão e kraftliner.
No segmento de embalagens, a Klabin aplicou reajustes de 3% nos preços do papelão ondulado, elevando o preço líquido de R$ 6.423 para R$ 6.647 por tonelada. Mesmo com volume de vendas estável, a receita da divisão cresceu 5%, para R$ 1,58 bilhão.
CÂMBIO PRESSIONA LUCRO, MAS EMPRESA MANTÉM CONFIANÇAA diretora afirmou que o El Niño e a guerra no Irã permanecem como possíveis fatores de pressão sobre os custos ao longo do restante do ano, mas destacou a confiança da companhia na disciplina financeira.
Sobre o lucro líquido atribuível aos acionistas, que caiu 52% no segundo trimestre, para R$ 277,1 milhões, Woge afirmou que a valorização do real frente ao dólar foi o principal fator negativo, uma vez que reduz a receita em reais das exportações. “À exceção do câmbio, o negócio operacionalmente da companhia foi muito bem no trimestre”, disse.
Durante o trimestre, a Klabin também anunciou um programa de recompra de até 31,25 milhões de units. Segundo a executiva, a companhia encerrou seu ciclo de grandes investimentos e entra agora em uma nova fase voltada à geração de caixa.
“Encerramos capítulo de crescimento e investimentos relevantes e entramos agora em uma fase de geração de caixa mais forte, que começa a acontecer a partir do segundo semestre, mas se intensifica a partir do ano que vem”, completou.