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Portal Celulose - 03/11/2026

Klabin tem custos pressionados por El Niño, fretes e insumos no terceiro trimestre

Medidas preventivas relacionadas ao fenômeno climático e aumento de despesas logísticas e de matérias-primas elevaram o custo caixa por tonelada em 12% na comparação anual, apesar do crescimento da receita

Klabin tem custos pressionados por El Niño, fretes e insumos no terceiro trimestre

As medidas adotadas pela Klabin para enfrentar os efeitos do El Niño, somadas à alta dos preços de fretes e insumos, responderam por quase metade do aumento anual dos custos de produção, transporte e comercialização no terceiro trimestre de 2026. A companhia, que divulgou seus resultados financeiros na quarta-feira, 28, registrou crescimento da receita no período, mas teve a rentabilidade pressionada pelo avanço das despesas e pelos efeitos cambiais.

Segundo Gabriela Woge, diretora financeira da Klabin, parte desses aumentos está relacionada a fatores externos que não estavam previstos nas projeções iniciais da empresa. Para minimizar os impactos, a companhia tem investido em eficiência operacional e controle de despesas.

“São eventos exógenos [externos ao negócio] que não prevíamos quando fizemos o ‘guidance’ lá atrás, mas viemos buscando compensar uma parte disso com eficiências de custos, renegociação de contratos com fornecedores e diligência forte no custo fixo, que é o que está na nossa mão”, disse a diretora.

Entre julho e setembro, o custo caixa total por tonelada aumentou R$ 379 e chegou a R$ 3,48 mil. O resultado representa uma alta de 12% em relação ao mesmo período do ano anterior.

No mercado financeiro, as ações da Klabin recuaram 6,37% na quarta-feira, encerrando o pregão cotadas a R$ 17,49. O movimento acompanhou a desvalorização dos papéis de outras empresas do setor que também divulgaram resultados no período.

As iniciativas preventivas relacionadas ao El Niño, como a compra antecipada de madeira, a formação de estoques de segurança e a abertura de estradas para facilitar o acesso às florestas, acrescentaram R$ 111 por tonelada aos custos. Já a alta dos preços de insumos e fretes, influenciada por conflitos geopolíticos, representou um impacto adicional de R$ 66 por tonelada.

A pressão deve continuar nos próximos meses, uma vez que os efeitos do fenômeno climático, especialmente as chuvas intensas na região Sul, onde estão concentradas as plantações da Klabin, e os custos logísticos das medidas preventivas ainda estão em andamento.


META DE CUSTOS SEGUE COMO DESAFIO
Apesar do aumento das despesas, a Klabin mantém a expectativa de encerrar 2026 dentro do intervalo previsto para o custo caixa total, entre R$ 3,2 mil e R$ 3,3 mil por tonelada.

A meta, no entanto, representa um desafio. A média acumulada nos nove primeiros meses do ano chegou a R$ 3,34 mil por tonelada, acima do limite superior projetado pela companhia.

Gabriela Woge afirmou que as medidas antecipadas para enfrentar o El Niño continuarão impactando os custos no quarto trimestre, mas destacou que o desempenho registrado no primeiro semestre contribui para a manutenção da projeção anual.

“Essa antecipação das medidas do El Niño é algo que perdura para o quarto trimestre, mas ainda assim, na média do ano, dado que no primeiro semestre estivemos mais perto da parte baixa [da meta], esperamos continuar no ‘guidance’”, disse.

No terceiro trimestre, o lucro líquido atribuível aos acionistas controladores somou R$ 241,06 milhões, enquanto o lucro líquido consolidado alcançou R$ 393,12 milhões. Os resultados representam quedas de 31% e 18%, respectivamente, na comparação anual.

A receita líquida, por sua vez, atingiu R$ 5,56 bilhões, avanço de 3% em relação ao terceiro trimestre do ano anterior.


PRESSÃO DE CUSTOS TAMBÉM ATINGE OUTRAS EMPRESAS DO SETOR
O aumento das despesas operacionais tem pressionado os resultados de outras companhias da indústria de papel e embalagens, embora por diferentes razões.

A Smurfit Westrock, uma das principais concorrentes da Klabin no segmento de embalagens de papelão ondulado no Brasil, também registrou redução do lucro no terceiro trimestre. A empresa informou que a inflação dos custos de energia afetou seus resultados operacionais.

Já a International Paper apresentou aumento do prejuízo no período, impactada por uma baixa contábil em sua divisão europeia de embalagens. A companhia também enfrenta um cenário macroeconômico que limita a demanda por embalagens no continente.

Na avaliação de analistas, apesar da pressão sobre os custos, os resultados da Klabin ficaram dentro das expectativas do mercado. A resiliência do negócio de celulose foi um dos destaques positivos, em contraste com o avanço das despesas nos segmentos de papéis e embalagens.

O Itaú BBA avaliou que o Ebitda ajustado somou R$ 1,85 bilhão, recuo de 12% na comparação anual, mas permaneceu em linha com as estimativas do banco. Os analistas destacaram que a companhia já vinha adotando uma postura conservadora em relação à estrutura de custos, embora a trajetória observada nos nove primeiros meses do ano represente riscos para as projeções.

O Bradesco BBI, por sua vez, apontou que o crescimento da receita foi ofuscado pela pressão das despesas. No segmento de celulose, os analistas destacaram o desempenho operacional, com produção próxima à capacidade máxima e preços ainda sólidos.

“Em papel, o mix foi novamente um destaque positivo, com maiores embarques de cartão revestido mais do que compensando os menores volumes de kraftliner, que também foram afetados pela parada programada em Otacílio Costa”, indicou o banco.

Em embalagens, os volumes apresentaram leve retração, influenciados pela base de comparação mais elevada do ano anterior.


KLABIN SE APROXIMA DO FIM DO CICLO DE INVESTIMENTOS
A companhia também se prepara para concluir um ciclo de investimentos voltado à modernização e ao aumento da capacidade produtiva. Uma das últimas etapas é a modernização da caldeira da unidade de Monte Alegre (PR).

Outro projeto importante é a máquina de papel 28 (MP 28), integrante do Projeto Puma II, em Ortigueira (PR), voltada à produção de papel-cartão e kraftliner. A expectativa é que o equipamento alcance sua capacidade máxima instalada até o fim de 2026.

Somada à máquina de papel 27 (MP 27), que já está em operação, a estrutura do Projeto Puma II possui capacidade de produção anual de aproximadamente 900 mil toneladas de papel.

A diretora financeira afirmou que, após a conclusão desse ciclo, a companhia não prevê iniciar novos projetos de grande porte no curto prazo.

“Não vemos nenhum outro novo ciclo [de grandes investimentos] começando no momento”, disse Woge.

Para 2026, a Klabin mantém a previsão de investimentos de R$ 3,3 bilhões, dos quais R$ 2,2 bilhões já foram desembolsados. Em 2027, a expectativa é reduzir o volume de aportes para R$ 2,8 bilhões.

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