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Portal Celulose - 04/08/2026

Consumo de celulose avança na Europa, enquanto mercado chinês desacelera e acomoda preços

Análise do BB Investimentos aponta demanda firme no continente europeu, recuperação das exportações brasileiras e oferta global ainda restrita

Consumo de celulose avança na Europa, enquanto mercado chinês desacelera e acomoda preços

A dinâmica do mercado global de celulose segue marcada por cenários distintos entre as principais regiões consumidoras. Enquanto a Europa mantém a demanda aquecida e os estoques em níveis reduzidos, a China demonstra sinais de desaceleração, com estabilidade nos preços da fibra curta e recuo nas importações. A avaliação consta na análise mais recente divulgada por especialistas do BB Investimentos.

Na Europa, os estoques de celulose nos portos permaneceram abaixo da média histórica, refletindo um mercado ainda sustentado pelo consumo firme da commodity. Ao mesmo tempo, os custos de transporte e energia continuaram em alta, influenciados pela valorização do petróleo em meio ao conflito no Irã.

Já na China, os preços da celulose de fibra curta interromperam uma sequência de nove meses de valorização e permaneceram praticamente estáveis em junho. No segmento de fibra longa, as cotações voltaram a recuar, sem manter a leve recuperação observada no mês anterior. O movimento foi acompanhado por uma nova queda nas importações de celulose pelo país.

Do lado da oferta, houve aumento da produção global em relação ao mês anterior, principalmente de fibra longa. Ainda assim, o volume acumulado entre janeiro e maio de 2026 permanece 3,7% abaixo do registrado no mesmo período do ano passado, indicando que a oferta continua relativamente restrita.

No Brasil, as exportações de celulose ganharam força em junho. Os embarques somaram cerca de 1,8 milhão de toneladas, alta de 13,2% na comparação mensal. O preço médio de exportação atingiu US$ 508 por tonelada, avanço de 2,2%, enquanto a receita total cresceu 15,6%, alcançando US$ 918 milhões.

O resultado foi impulsionado, principalmente, pela recuperação das vendas para a China, que avançaram 30% em relação a maio e passaram a representar 43,2% das exportações brasileiras. Os embarques destinados aos Estados Unidos também apresentaram forte crescimento, com alta de 52% e o maior volume registrado nos últimos 12 meses, elevando a participação do país para 18,3% do total exportado.

Apesar do desempenho positivo em junho, os dados preliminares da Secretaria de Comércio Exterior (SECEX) para julho, até a quarta semana, apontam uma desaceleração. O volume médio diário exportado recuou 4,6% frente ao mês anterior, embora o valor médio por tonelada tenha avançado 6,3%.

No segmento de papel e embalagens, a produção física de papel e papelão cresceu 1% em maio na comparação anual, alcançando 104,4 pontos no índice de produção. Em contrapartida, a expedição de caixas, acessórios e chapas de papelão ondulado registrou leve retração de 0,2%, totalizando aproximadamente 360 mil toneladas. Mesmo assim, o segmento acumula crescimento de 2,5% nos cinco primeiros meses de 2026.

O ambiente para a indústria, no entanto, segue desafiador. Em julho, o Índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI) do setor de papel e celulose caiu 2,3 pontos, para 44,4 pontos, permanecendo abaixo da linha de confiança pelo 19º mês consecutivo. O desempenho reflete um cenário ainda marcado pela volatilidade da demanda e pelos elevados custos de produção.

No comércio internacional, a recente tarifa de 25% anunciada pelos Estados Unidos para determinados produtos brasileiros não deve afetar os mercados de celulose de fibra curta, fibra longa e fluff, que ficaram de fora da medida. Por outro lado, produtos como celulose solúvel, papéis, painéis de madeira, MDF, MDP e pisos laminados deverão sentir os efeitos da nova política tarifária.

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