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Desenvolvidos em parceria entre universidades e empresas, os novos materiais chegam ao mercado para aumentar a eficiência e a resiliência da produção de madeira destinada à celulose
Após nove anos de pesquisas conduzidas no Brasil, novos clones de eucalipto mais resistentes à seca começaram a ser cultivados em escala comercial em Mato Grosso do Sul e em outros estados produtores. Desenvolvidos com investimentos de aproximadamente R$ 27 milhões, os materiais genéticos foram criados para enfrentar os impactos das mudanças climáticas, aumentando a produtividade das florestas plantadas e garantindo maior estabilidade no abastecimento de madeira para a indústria de celulose.
O desenvolvimento dos clones é resultado de um projeto iniciado em 2017, que reúne 15 empresas dos setores de papel, celulose e florestas, coordenado pela Universidade Federal de Viçosa (UFV) e pela Sociedade de Investigações Florestais (SIF), com apoio da Embrapii. Entre as participantes estão Eldorado Brasil, Suzano, Bracell/MS Florestal, Klabin, ArcelorMittal e Gerdau.
Ao longo do projeto, pesquisadores avaliaram 240 clones de eucalipto e selecionaram 14 variedades que apresentaram melhor desempenho produtivo e maior adaptação às condições de déficit hídrico.
Segundo Gleison Augusto dos Santos, diretor da Unidade Embrapii Fibras Florestais da UFV, os novos materiais já começam a ser utilizados nos principais estados produtores de eucalipto, especialmente em Mato Grosso do Sul.
“São 14 clones que indicamos e que apresentam elevada tolerância à seca. Eles são significativamente mais resistentes ao déficit hídrico do que os materiais genéticos atualmente plantados em Mato Grosso do Sul”, afirmou o pesquisador, também diretor científico da SIF e professor da área de Melhoramento e Conservação Genética de Espécies Florestais da UFV.
Além da maior tolerância à seca, os clones apresentam resistência às principais doenças florestais, maior capacidade de suportar ventos intensos, melhor qualidade da madeira e maior eficiência no uso da água. Essas características contribuem para aumentar a produtividade das florestas e a eficiência da produção de celulose, reduzindo também impactos ambientais.
Os materiais foram apresentados oficialmente em junho, durante reunião técnica realizada na unidade da Bracell/MS Florestal, em Lençóis Paulista (SP). Após a fase de testes em áreas experimentais até 2025, os clones passaram a ser produzidos comercialmente.
PRIMEIRAS ÁREAS DE PLANTIOA primeira safra comercial deverá ocupar cerca de 600 hectares em Mato Grosso do Sul, menos de 1% dos aproximadamente 150 mil hectares plantados anualmente no estado. A expectativa é que os primeiros ciclos de colheita ocorram por volta de 2032, considerando o ciclo florestal de aproximadamente seis anos.
Segundo os pesquisadores, Mato Grosso do Sul deverá concentrar cerca de 40% da área nacional plantada com os novos materiais. A Eldorado liderará o plantio inicial, com aproximadamente metade da área prevista, enquanto Suzano e Bracell/MS Florestal responderão por cerca de 25% cada.
A previsão é que, em aproximadamente cinco anos, os novos clones estejam presentes em mais de 50% das áreas anuais de plantio no estado, conforme aumente a disponibilidade de mudas.
GANHOS DE PRODUTIVIDADEOs novos materiais genéticos deverão elevar a produtividade média das florestas plantadas de cerca de 34 para mais de 40 metros cúbicos por hectare ao ano, representando um ganho estimado de aproximadamente 20%.
As pesquisas de melhoramento genético continuam em andamento, com novas variedades ainda em fase experimental que poderão ampliar ainda mais os ganhos de produtividade e a adaptação das florestas aos desafios climáticos.
A adoção dos novos clones acompanha o ciclo de expansão da indústria de celulose em Mato Grosso do Sul, impulsionado por investimentos bilionários de empresas como Suzano, Bracell e Eldorado Brasil, que ampliam a demanda por madeira de alta produtividade e maior resistência às condições climáticas.