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Medida anunciada pelo governo norte-americano entra em vigor em 22 de julho e exclui a celulose da sobretaxa, enquanto produtos como papel e etanol serão tributados
O Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) confirmou a aplicação de uma tarifa adicional de 25% sobre diversos produtos brasileiros, com início previsto para 22 de julho. Entre os itens isentos da medida está a celulose, um dos principais produtos da pauta exportadora brasileira para o mercado norte-americano.
A decisão é resultado de uma investigação conduzida pelo USTR com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, instrumento que permite ao governo dos Estados Unidos apurar práticas comerciais consideradas prejudiciais aos interesses do país.
Durante o processo, a administração do presidente Donald Trump alegou que o Brasil adota práticas que “oneram ou restringem” o comércio bilateral, citando questões como o sistema de pagamentos PIX, o acesso ao mercado de etanol, o desmatamento ilegal e a pirataria.
Apesar da adoção da nova tarifa, o governo americano definiu uma lista de produtos que permanecerão isentos da sobretaxa de 25%. Além da celulose, também ficaram de fora itens como petróleo, café, carne bovina e aeronaves. Segundo os Estados Unidos, esses produtos foram excluídos por serem considerados estratégicos para a economia do país, seja pelo impacto potencial nos preços ou pela limitada produção doméstica. Em contrapartida, produtos como papel, etanol e máquinas agrícolas estarão sujeitos à nova tributação.
Com a exclusão da celulose, parte significativa das exportações brasileiras para os Estados Unidos permanece preservada da medida tarifária.
A investigação comercial foi concluída após um ano de análises e negociações entre os governos de Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump. Representantes de diferentes setores da economia também participaram do processo por meio de audiências públicas realizadas na etapa final da apuração.
A tarifa adicional passará a valer em 22 de julho, mas não será aplicada às mercadorias que já tiverem sido embarcadas do Brasil com destino aos Estados Unidos antes da entrada em vigor da medida.
O governo norte-americano informou ainda que a decisão poderá ser revisada ou suspensa caso o Brasil elimine as práticas comerciais questionadas.
Paralelamente, os Estados Unidos avaliam a adoção de uma tarifa adicional de 12,5% para 60 economias, incluindo o Brasil, sob a justificativa de que esses países não implementaram medidas consideradas suficientes para impedir a circulação de produtos fabricados com trabalho forçado. A proposta segue em análise.